Projeto do Subsistema de Estruturas
Materiais
Definição de critérios de avaliação dos materiais
A seleção dos materiais para o projeto das estruturas é um dos aspectos mais importantes, pois impacta diretamente a performance e o custo do produto final. Para garantir uma escolha bem fundamentada, foram definidos critérios específicos de avaliação. Cada critério foi atribuído a uma pontuação, que reflete sua relevância no processo de tomada de decisão. Além disso, cada critério recebeu um peso que auxiliará na comparação entre as alternativas de materiais disponíveis.
Critério | Descrição | Peso |
---|---|---|
Custo | Viabilidade econômica do material para a aplicação. | 3 |
Propriedades Mecânicas | Resistência do material sob cargas | 1 |
Peso | Relação massa/volume | 1 |
Processabilidade | Facilidade de transformação do material em peças ou componentes, incluindo custos e tempo. | 3 |
Disponibilidade | Facilidade de obtenção do material no mercado, incluindo tempo de entrega | 3 |
Fonte: Autores.
Definição das notas e avaliação dos materiais
Para facilitar a avaliação e comparação entre os diferentes materiais, foi adotada uma escala de notas variando de 0 a 5
Nota | Descrição |
---|---|
0 | Inviável |
1 | Muito Ruim |
2 | Ruim |
3 | Razoável |
4 | Bom |
5 | Excelente |
Fonte: Autores.
Com base nessa escala, as alternativas de materiais para cada seção do subsistema de estruturas foram avaliadas.
Seção | Alternativas | Custo | Propriedades Mecânicas | Peso | Processabilidade | Disponibilidade | Total |
---|---|---|---|---|---|---|---|
Estrutura | |||||||
Alumínio | 5 | 4 | 4 | 4 | 5 | 50 | |
Aço | 2 | 5 | 3 | 3 | 3 | 32 | |
Madeira | 4 | 2 | 5 | 5 | 4 | 46 | |
Revestimento Externo | |||||||
Alumínio | 3 | 5 | 2 | 3 | 3 | 34 | |
PVC | 4 | 3 | 3 | 4 | 4 | 42 | |
ACM | 5 | 3 | 3 | 4 | 5 | 49 | |
Madeira | 4 | 3 | 4 | 4 | 4 | 43 |
Fonte: Autores.
Lista e definição de materiais
Após a avaliação das alternativas e o cálculo das pontuações totais, foram selecionados os materiais que atendem melhor aos requisitos do projeto. A tabela a seguir apresenta uma lista com a descrição de cada material escolhido e as justificativas para sua seleção:
Material | Descrição | Justificativa |
---|---|---|
Alumínio | Perfil estrutural de aluminio | Material de alta resistência e leve. Disponibilidade do material na faculdade. |
Aço inox | Tubos capilares para transporte de líquido | Material rígido e não sofre oxidação. Baixo custo e facil acessibilidade. |
Aço carbono | Parafusos e porcas martelo | Material de alta resistência. Baixo custo e facil acessibilidade. |
ACM | Placas de revestimento | Material leve e resistente. Disponibilidade do material na faculdade. |
Borracha silicone | Tubos para transporte de líquido | Adequado para transporte de alimentos líquidos. Baixo custo e facil acessibilidade. |
Fonte: Autores.
Análise Estrutural Preliminar
Foi realizada uma análise estrutural preliminar do projeto do "Dink Mixer", levando em consideração os materiais escolhidos para a construção da estrutura e os requisitos do sistema. O objetivo dessa análise inicial foi avaliar as condições de operação do equipamento, identificando as cargas atuantes e os potenciais pontos críticos para garantir a segurança e a eficiência da máquina.
Durante a avaliação, constatou-se que as cargas aplicadas sobre a estrutura são relativamente baixas, em função da natureza do sistema. Além disso, ao priorizar o uso de materiais já disponíveis para a equipe, identificou-se que a estrutura projetada ficou superdimensionada, o que elimina qualquer risco de falhas mecânicas durante a operação, garantindo a segurança e a robustez do equipamento.
Simulação numérica
Devido à natureza dos esforços atuantes na estrutura, foi realizada a simulação apenas do componente estrutural mais crítico, a placa destinada ao apoio das garrafas de bebida, considerando que os demais componentes estariam sujeitos a esforços insignificantes.
Para as condições de contorno da estrutura, considerou-se o contato das laterais que serão conectadas às paredes do equipamento e irão suportar as garrafas com bebidas. Já para as condições de carregamento, considerou-se a aceleração da gravidade e o peso das garrafas cheias, simulando o estado crítico de carregamento. O carregamento considerado foi de 58.84 N.
Figura 1 - Deformação da placa [m]
Fonte: Autores.
Figura 1 - Tensão normal na camada de alumínio
Fonte: Autores.
Figura 1 - Tensão normal na camada de polietileno
Fonte: Autores.
Observou-se que, mesmo sob carregamento crítico, a estrutura mantém sua integridade com uma elevada margem de segurança.
Definição da bomba para transporte de líquidos
O dimensionamento das bombas para transporte de líquidos foi realizada calculando a pressão hidráulica necessária para o funcionamento do aparelho. A potência hidráulica é a quantidade de energia por unidade de tempo que um fluido transporta em um sistema hidráulico, como em tubulações, bombas ou turbinas. É a grandeza associada ao movimento do fluido devido à sua vazão, pressão e densidade. Ela pode ser calculada com base nos parâmetros do escoamento. A potência hidráulica ($P_h$) pode ser calculada por:
$$ P_h = \rho \cdot g \cdot Q \cdot H $$
Onde $\rho$, g, Q e H são a densidade, aceleração gravitacional, vazão volumétrica e altura manométrica de líquido, respectivamente.
A altura manométrica total representa a energia por unidade de peso necessária para transportar o fluido do reservatório de sucção ao reservatório de descarga, considerando uma determinada vazão. Essa energia é fornecida pela bomba, sendo um parâmetro essencial para sua seleção. Vale destacar que, em sistemas de bombeamento, a vazão é a condição requerida, enquanto a altura manométrica total resulta das características da instalação. A altura manométrica total do sistema (H) pode ser calculada por:
$$ H = \frac{\Delta P}{\gamma} \cdot 10 + \frac{Ve^2 - Vi^2}{2g} + h + H_{p} $$
Nos quais $\Delta P$ representa a diferença de pressão na fronteira, $\gamma$, a peso específico, $Ve$, velocidade de saída, $Vi$, velocidade de entrada, $h$, altura geométrica e $Hp$, perda de carga. Como ambas as saídas das tubulações estão expostas à mesma pressão (pressão atmosférica), podemos assumir que $\Delta P = 0$. Além disso, como o fluido na garrafa reservatória está em repouso, a velocidade na entrada pode ser considerada igual a zero.
A perda de carga foi calculada a partir do método de Moody-Rouse, definido por:
$$ Hp = f \frac{L \cdot v^2}{D \cdot 2g} $$
Onde L representa o comprimento do duto, D, o diâmetro interno e f, o coeficiente de atrito, obtido pelo Diagrama de Moody. Para utilizar o diagrama, deve-se caracterizar o escoamento como laminar ou turbulento, a partir no número de Reynolds ($Re = \rho u D/\mu$), e definir a rugosidade do tubo baseado no material.
Aplicando
A fim de caracterizar o escomento, admitiu-se um diâmetro interno de 1mm e vazão 10mL/s. A velocidade do fluxo foi calculada por meio da seguinte relação:
$$ v = \frac{Q}{A} $$
Considerando água como fluido, com a velocidade e diâmetro obteve-se $Re$<2000, podendo considerar, deste modo, um escoamento laminar. Com base nisso, é possível empregar a seguinte fórmula para calcular o coeficiente de atrito (f).
$$ f = 64/Re $$
Ao substituir o valor de $f$ nas equações mencionadas anteriormente, foi determinado que a potência hidráulica mínima necessária para o funcionamento da bomba seria de aproximadamente 2,25 W. Todavia, considerando uma eficiência de 50% para a bomba d'água, a potência consumida mínima real pode ser calculada utilizando a seguinte fórmula:
$$ P_\text{consumida} = \frac{P_\text{hidráulica}}{\eta} $$
Portanto, a potência mínima da bomba para este projeto deve ser superior a 5,0 W.
Referências e normas utilizadas
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KRAJEWSKI, Lee J.; RITZMAN, Larry P.; MALHOTRA, Manoj K. Administração de produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2012. xiv, 615 p. ISBN 9788576051725.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 08403: Aplicação de linhas em desenhos - Tipos de linhas - Larguras das linhas Rio de Janeiro, 1984.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10067 - Princípios Gerais de Representação em Desenho Técnico, 1995
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10068 - Folha de Desenho - Leiaute e Dimensões, 1987
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10126 - Cotagem em Desenho Técnico, 1987
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WHITE, Frank M. Mecânica dos fluidos. 6.ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2010
Versionamento
Versão | Data | Modificação | Autor |
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0.1 | 24/11/2024 | Criação do documento | Danylo Nunes - Luiz Garcia |